coração

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quem não tiver pecado atire a primeira pedra!


“Jesus disse: Eu também não te condeno.”
Quem não tiver pecado atire a primeira pedra!
Essa expressão é muito conhecida dentre todos os homens e mulheres, cristãos ou não. Ela serve para justificar a si próprio, e aos outros, de julgamentos pelos erros cometidos.
E quem não comete erros? Quem não peca aos olhos do Pai e da sociedade?
Ai de quem não usa de misericórdia para com seu irmão, esse também não terá em conta a misericórdia do alto e dos outros.
Os erros levam um dia ao acerto, e o arrependimento leva à conversão, por isso, é preciso perdoar e acreditar na transformação.
Depois de ver que nenhum homem havia condenado a mulher, Jesus também a perdoa, é a eficiência do perdão humano na presença do Amor, onde a Luz faz com que o coração enxergue através dos olhos de Jesus.
Jesus confirma o perdão depois dos homens, não que Ele precise da aprovação humana para isso, ao contrário, mas é o que Ele espera de cada um de nós: reconhecer em si mesmo que também é frágil e precisa da misericórdia do outro.
Abra-se para perdoar!
Na sua hora você ouvirá de Jesus: Eu também não te condeno!
Rachel Abdalla

MÃOS E DEDOS


MÃOS E DEDOS
"Quantos dedos já apontaram para você te acusando de alguma coisa? De repente você encontra uma mão, a única mão que pode apontar os teus defeitos, a única mão que pode apontar os teus pecados, a única mão que pode te acusar de alguma coisa porque é o juiz justo, e e justamente essa mão que toca com carinho no teu ouvido ...No ouvido ? Sim as mãos de Jesus toca teus ouvidos !! ...Para que você não fique escutando ninguém que te faça mal, não dê atenção para quem não conhece as tuas lutas, não fique ouvindo pessoas que te levam para baixo, não se transforme naquilo que você não é por causa das falas dos outros, só quem te conhece de verdade é você e Deus, ninguém mais...Jesus colocou as mãos nos teus ouvidos e diz: escute minha palavra, a minha voz, porque a minha voz nunca vai te desanimar, não, minha voz vai te fazer cada vez melhor e feliz
Psiu : As vezes as mãos de Deus cala a boca dos teus inimigos , de vez enquando ele Tapa Teus ouvidos e sempre estas mãos estão dispostas a te levantar. 
Pe.Fernando Guirado 😉🤔



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Viver ou Apenas Existir?


"Tem gente que apenas existe, mas não sabe viver

Tem gente que ri, mas o coração quer chorar

Tem gente que chora, mas nem sempre são lágrimas de alegria 

Tem gente que corre, mas nem sempre acompanha o ritmo da caminhada

Tem gente que olha, mas nem sempre vê a vida com bons olhos

Tem gente que tem prazer, mas nem sempre vive o amor

Tem gente que se recolhe, mas nem sempre é para descansar

Tem gente que constrói a casa sobre a areia, mas logo o mar a leva

Tem gente que conquista, mas nem sempre o que era seu

Tem gente que agride, mas a mágoa não vai embora 

Tem gente que luta, mas nem sempre nas suas batalhas

Mas quem busca sempre acha 

Quem espera sempre alcança

Quem planta a semente sob a terra fértil, terá bons frutos

Quem corre no ritmo da vida atenciosamente, alcançará a felicidade até nos pequenos detalhes 

Quem planta amor, nunca se arrependerá do passado

Quem cai, mas consegue se erguer, esse é vencedor

Quem enfrenta todas as batalhas de cabeça erguida, vencerá todas as guerras 

Se você perdoa um, pode ter a certeza que ganhou seu dia

E principalmente, quem crê em Deus vencerá todo dia"

Lembre-se: 

Viva o amanhã como se fosse um recomeço, do que você falhou no dia de ontem.
Acredite, espere e perceba os pequenos detalhes da vida , para que você quando se deitar, poder dizer " Eu ganhei o meu dia ".
Deus te abençoe e bom dia !

(Mario César G. F. Junior)

Por que estou sofrendo?



Muitas pessoas se perguntam: Por que estou sofrendo?

Estamos neste mundo de passagem e o nosso caminho é semelhante ao de Jesus: Caminho de cruz, porque o discípulo não é maior do que o Mestre.

Mas nós precisamos atentar para uma realidade: muitos dos nossos sofrimentos são fruto do mau uso da nossa liberdade. Costumamos fazer muitas coisas que nos vêm à cabeça, muitas vezes, sem pensar nas consequências das atitudes tomadas.

Deus nos dá a liberdade de escolha porque nos ama, por isso, deixa-nos livres. O homem é senhor da sua liberdade, mas, nem sempre sabemos fazer as escolhas certas, porque somos limitados. É aí que precisamos tomar consciência de que sozinhos não somos capazes de conduzir a nossa vida: Coloquemos nossas vidas nas mãos de Deus, para que Ele nos aponte por qual caminho devemos seguir. Dessa forma, não corremos o risco de nos perder em meio às decepções e adversidades do dia-a-dia e de nos tornar pessoas incrédulas e distantes de Deus, que tanto nos ama e nos quer felizes.

Rezemos com o salmista: “Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo” ( Sl 79, .

Jesus, eu confio em Vós!


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Oração do Apóstolo.


Senhor,
Fazei que eu ande!
Libertai minhas pernas da preguiça,
Afastai do meu corpo a vontade de acomodar-se.
Desatai meu coração das amarras
Que o prendem às coisas sem importância.
Soltai meu espírito da desgraça do egoísmo e da indiferença.
Fazei com que eu me disponha a ir ao encontro da humanidade
Que ainda não achou o rumo.

Senhor,
Que eu não fique dormindo no meu barco ancorado
Num mar de tranquilidade,
Que eu não fique vegetando nesta “doce vida” de
Cristão convencido de possuir “o passaporte” para o reino dos céus,
Mas que eu sinta, como o apóstolo Paulo, o desejo de
Andar e a inquietação missionária:
“Ai de mim se não evangelizar”.

Senhor,
Que eu me dirija ao encontro daquele que sofre,
Porque ninguém ainda lhe estendeu a mão;
Ao encontro daquele que chora,
Porque ninguém ainda o amou;
Ao encontro daquele que caminha nas trevas,
Porque ninguém lhe mostrou o caminho da luz.

Senhor,
Que seja eu capaz de levar uma fatia de pão e um copo de água:
O pão do calor humano e a água da vida.
Que, em vez de maldizer, eu seja capaz de acenar.
Para uma luz que conduz ao bem comum.
Que eu seja capaz de ser uma esperança amiga
Que desperte a fé e encaminhe as pessoas para o amor.

Senhor,
Que eu ande sempre,
Mas não me deixes partir sozinho de mãos vazias.
Fazei com que eu leve comigo o suave peso da vossa presença.
Dai-me, todos os dias, a vontade de ser alguém a serviço do vosso amor.
Que assim seja!

(Adaptação: Padre Juca)

A nossa miséria.


Se soubermos como é grande o amor de Jesus por nós, nunca teremos medo de ir a Ele em toda a nossa pobreza, toda a nossa fraqueza, toda a nossa indigência espiritual e fragilidade. De fato, quando compreendermos o verdadeiro sentido de seu amor por nós, haveremos de preferir vir a Ele pobres e necessitados. Nunca nos envergonharemos de nossa miséria. A miséria é para nós vantagem quando de nada precisamos a não ser de misericórdia.

Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Editora Vozes), 7ª Ed. 2001, pág. 31

sábado, 16 de setembro de 2017

O Milagre das Mãos Vazias.


Dar um sorriso,
quando em nós só há trevas.

Dar amor, quando o próprio amor foi desenganado.

Dar apoio e segurança, quando se está sofrendo a pior das solidões.

Dar conforto, quando se está desconsolado.

Dar ânimo e coragem, quando se tem vontade de abandonar tudo.

Matar a sede dos outros, quando em si há desertos.

Ser chama, quando em si não há fogo.

Ser luz, quando em si há trevas.

Ser tudo para todos, quando não se é nada para si mesmo.

Ajudar a todos, mesmo sem nunca ter recebido um obrigado.

Olhar com amor, mesmo sendo visto com desdém e indiferença.

Amar a todos, mesmo sem ser amado por ninguém.

Proporcionar alegria, mesmo quando se está imerso em mares de tristezas, de dor, de lágrimas.

Isto é o milagre das mãos vazias!


Autor: Padre Juca

Per . . . doar



"Aprendi, outro dia que perdoar é a junção de "per" com "doar".

Doar é mais do que dar. Doar é a entrega total do outro.

O prefixo "per" que tem várias acepções, indica movimento no sentido "de" ou em "direção" a ou "através" ou "para" etimologicamente falando, portanto, perdoar, quer dizer doar ao outro a possibilidade de que ele possa amar, possa doar-se.

Não apenas quem perdoa que se "doa através do outro".

Perdoar implica abrir possibilidades de amor para quem foi perdoado, através da doação oferecida por quem foi agravado.

Perdoar é a única forma de facilitar ao outro a própria salvação.

Doar é mais do que dar: é a entrega total...

Perdoar é doar o amor, é permitir que a pessoa objeto do perdão possa também devolver um amor que, até então, só negara..."


                       ( Desconheço o Autor )

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Exaltação da Santa Cruz.


Oração Venerável e Vivificante Cruz
 (de uma antiga tradição litúrgica oriental Católica)

"Exaltai ao Senhor, nosso Deus e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque Ele é Santo. 
Salva-nos, ó Filho de Deus, Tu que foste crucificado na carne, a nós, que a Ti cantamos: aleluia! 
Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal e guarda o teu rebanho pela tua Cruz.
Tu, ó Cristo Deus, que, voluntariamente, foste erguido na Cruz, tem compaixão do povo que traz o teu Nome.
Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja e concede-lhe a vitória sobre o mal.
Que tua aliança seja para nós uma arma de paz e um troféu de vitória!
Diante da tua Cruz † (sinal da cruz), ó Mestre, nos prostramos e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes).
E glorificamos a tua santa Ressurreição.
Diante da tua Cruz †, ó Mestre, nos prostramos e glorificamos a tua santa Ressurreição.
Exaltai ao Senhor, nosso Deus e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés porque ele é Santo.
O Senhor reina, alegrem-se os povos; seu trono está sobre os Querubins, vacila a terra.
TODOS: Aleluia, aleluia, aleluia!
Lembra-te do teu povo que elegeste há tanto tempo; recuperaste o cetro de tua herança.
TODOS: Aleluia, aleluia, aleluia!
Deus, que é nosso Rei antes dos séculos, operou a salvação no meio da terra.
TODOS: Aleluia, aleluia, aleluia!
Ó Mãe de Deus, tu és o paraíso místico, pois sem ser cultivada, produziste Cristo, que plantou a árvore da Cruz.
Por isso, agora O adoramos crucificado e a ti exaltamos.
Gravada está sobre nós, Senhor, a luz da tua face.
TODOS: Aleluia, aleluia, aleluia!
Ó Cristo Deus, que voluntariamente foste suspenso à Cruz, tem compaixão do povo que traz o teu nome.
Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja dando-lhe a vitória sobre o mal.
Que tua aliança seja para nós uma arma de paz e um troféu de vitória.
Cumprida, Senhor foi a palavra de teu profeta Moisés: "Vereis vossa Vida suspensa a vossos olhos".
Hoje, a Cruz é exaltada e o mundo se liberta do erro.
Hoje, renova-se a ressurreição de Cristo; regozijam-se os confins da terra, e, com hinos e salmos, como outrora Davi, exclamam: "Realizaste hoje, a salvação do mundo, passando pela Cruz e a Ressurreição, pelas quais nos libertaste, Senhor Nosso Deus!".
Ó Tu, que amas a humanidade (Ágape), 
Senhor, glória a Ti!

Fonte: http://www.devocaoefeblog.com.br

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tu fazes teu caminho.



O caminho é longo! É preciso chegar ao fim…
O caminho é pedregoso! É preciso desviar das pedras, quebrar as rochas e seguir avante…
É preciso ter coragem, correr os riscos, enfrentar o perigo e ser constante…
O caminho não está feito… é preciso construí-lo todos os dias, arrancando espinhos, derrubando barreiras, aterrando vales…

O caminho às vezes escurece. É preciso estar prevenido, não deixar nunca a lâmpada sem azeite, estar pronto para tudo o que acontece.
Às vezes chove, faz frio e o vento sopra e incomoda. É preciso um abrigo.
Às vezes o caminho é solitário! É preciso um amigo.
Às vezes o sol queima, a sede devora. É preciso uma sombra, uma fonte onde a gente se revigore.
Às vezes toda a perspectiva de um caminho desaparece. É preciso uma esperança profunda, sem limites.
Uma esperança que nunca desvanece.

A certeza de que alguém falou e a sua palavra nunca falha.
A certeza de que não estamos sós nesta jornada, mas somos um povo a construir a sua estrada rumo ao mesmo fim.
Onde a promessa se cumprirá plenamente.
Onde não haverá mais chuva nem frio nem trevas

Tu, que andas por este caminho, percorre-o até ao fim.
Constrói este caminho dia a dia, não em terra de areia, mas em chão firme.
Caminha sempre.
Não importa que haja quedas.
Importa sempre começar de novo…
confiar sempre no mesmo amigo,
seguir sempre em frente como peregrino, como povo,
caminhando e crescendo na mesma amizade e na mesma fé,
alimentados pela mesma esperança em busca de comunhão.

Caminhando sempre
de mãos dadas, com a mesma coragem e mensagem.
Eis o lema do Cristão: Caminhante, não há caminho. Faz-se caminho ao andar.

              ( Desconheço o Autor )

Em Tuas Mãos, Senhor.


Em tuas mãos, ó Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila, como barro na mão do oleiro.
Dá-lhe forma, e depois, se quiseres, esmigalha-a como se esmigalhou a vida de John Kennedy, meu irmão.
Manda ordena “Que queres que eu te faça?...”.
Elogiado e humilhado, perseguido e caluniado, consolado e sofredor, inútil para tudo, não me resta senão dizer a exemplo de tua Mãe,
“Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Dá-me o amor por excelência, o amor da cruz;
Mas não da cruz heroica que poderia nutrir o amor próprio, e sim o da cruz vulgar que carrego com repugnância...
Daquela que se encontra cada dia, na contradição, no esquecimento do insucesso, nos falsos juízos;
Na frieza das recusas e desprezos dos outros;
No mal-estar e nos defeitos do corpo;
Nas trevas da mente,
E na aridez e no silencio do coração.
Então, somente então saberás que Te Amo,
Embora eu mesmo nada saiba,
Mas isto basta.

(Esta oração foi composta por Robert Kennedy, e encontrada em seu bolso quando foi assassinado).

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Natividade de N. Senhora.


Era indescritível a alegria que reinava na casa de Joaquim e Ana. Depois de tanta espera e tanta prece, nasceu uma menina. A cidade inteira participou também da felicidade intensa daquela santa mulher, já entrada em anos, de quem foi tirada a desonra da esterilidade.
Os pais acharam por bem dar-lhe o nome de Miriam, o que significa Maria.
Maria trouxe  alegria e felicidade para o lar tranqüilo dos pais. Na cidadezinha pacata de Nazaré também se estendeu um manto de paz e doce expectativa. Era como a aurora de um grande dia que vai nascer. O relógio do mundo começa a anunciar tempos novos. Já brilha a estrela da manhã. Logo vai nascer o Sol.
Uma lufada de vento penetra pelas janelas invadindo o Templo de Jerusalém, e derruba o pergaminho que se desenrola. Um levita apanha-o do chão e lê a parte que ficou à vista: “Nascerá um broto do tronco de Jessé. Uma flor brotará da sua raiz. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, espírito de Sabedoria e Entendimento, espírito de Conselho e Fortaleza, espírito de Ciência e Piedade, e será cheio do espírito de Temor do Senhor” (Is 11,1-3a) ...
O levita balança a cabeça um tanto perplexo, recoloca o pergaminho na estante e chega-se à janela. Os tempos estão maduros. As flores já brotaram. O fruto bendito não deve tardar ...
O verdadeiro significado e o fim deste acontecimento é a encarnação do Verbo. De fato Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos Séculos. É este afinal o motivo pelo qual somente de Maria (além de João Batista e naturalmente Jesus Cristo) não é festejado só o nascimento para o céu, o que acontece com os outros santos, mas também a vinda a este mundo.
Nos Sermões de São Pedro Damião, sobre a Natividade de Nossa Senhora, ele diz: “Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra.
Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo Encarnado? ... É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heróicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da Criatura?”

Fonte inspiradora: Texto Bíblico do Profeta Isaías e o Livro Um Santo para cada dia.
 Pe. Reinaldo

Bendita a sede.


Bendita a sede
por arrancar nossos olhos
da pedra.

Bendita a sede
por ensinar-nos a pureza
da água.

Bendita a sede
por congregar-nos em torno
da fonte.
(Orides Fontela)

Não é por acaso que começo essa conversa com um poema.  Como sempre acontece, nele podemos fazer muitos itinerários e eu espero e desejo que cada um de nós possa fazer o seu.  Eu lhes proporei alguns, nesse caminho que eu considero uma possibilidade de humanização, e por isso mesmo, desdobrável e múltiplo. Lembro-lhes que aqui também não se trata de uma crítica literária.
A autora repete três vezes uma bênção.  E ela bendiz a sede.  Curioso que ela nos lembre isso.  Porque bem dizer a sede?  Habitualmente somos convidados a evitar o desconforto da sede, um estado de privação.  Minha boca está seca. Preciso urgentemente de água.  Então, porque bendizer a sede? 
A sede é o reconhecimento de que somos humanos, que estamos em estado permanente de construção da nossa humanidade.  Não estamos prontos em nenhuma instância.  Somos seres a caminho.  Qual é a nossa sede?  Sede de humanidade, sede de humanização. 
E o que nos torna humanos são os nossos afetos.  Somos afetados pela vida que nos constitui.  A nossa imersão no tempo e no espaço da qual emergimos fazendo poesia, contando as nossas histórias.  Temos sede de contarmos as nossas experiências de alegria e de dor.  Basta pensarmos nas histórias e canções que nos ensinaram do amor e da coragem de existir.
Bendita a sede por arrancar os nossos olhos da pedra.
É um verbo forte: arrancar.  A sede arranca os nossos olhos da tentação da saciedade.  Temos uma tendência irresistível para a mesmice, para ficarmos instalados na nossa própria compreensão da realidade, agarrados às nossas verdades pré-concebidas para não sermos despertados do sono que nos aliena de nós mesmos, dos outros e do mundo.  Surpreendidos pela sede, somos des-instalados e lançados para uma existência que nos transcende, abertos a outras possibilidades para além daquelas conhecidas. 
A sede, o estado de inacabamento próprio do que é humano, movimenta o nosso olhar para além da pedra. Com muita facilidade nos desumanizamos, perdemos o nosso jeito de aprendiz, deixando de reconhecer a eterna novidade do mundo.
Bendita a sede por ensinar-nos a pureza da água.
Só a sede nos dá a conhecer a água.  Só o nosso olhar, arrancado da pedra, é capaz de nos ensinar que a vida tem um sabor, que a vida pede saboreá-la.  O sentido da vida nós o captamos através dos cinco sentidos.  Saborear supõe paciência. As pessoas sábias são aquelas que saboreiam o gosto do viver.  Aí voltam as histórias.  Elas nos contam ‘o sabor das massas e das maçãs’ que o Almir Sater canta em ‘Tocando em frente’.  É na lembrança do sabor da água fresca que podemos bendizer a sede que volta e nos arranca da nossa aridez.
Bendita a sede por congregar-nos em torno da fonte.
O que nos congrega é sempre maior do que a gente mesmo. Ouvir a quem nos chama.  Sem a sede ficamos surdos para os chamados, cegos para o reconhecimento das fontes. É preciso espiritualizar a nossa vida cotidiana, porque ela tem uma dimensão muito maior do que aquela que nos aponta a necessidade.  Não somos necessidade pura em nenhum momento da nossa existência.  O que nos congrega em torno da fonte é a sede de humanidade que nos sustenta no caminho. 
Num texto inspirado, o Pe. Adolfo Nicolas, superior da Companhia de Jesus (jesuítas), sugere três dimensões importantes para a vida de uma comunidade profética.  Um outro modo de bendizer a nossa sede:
Profundidade: para que não nos percamos na superficialidade ou na mesmice (arrancar os nossos olhos da pedra). Jesus nos pede para entrarmos no tempo de Deus.  A contemplação cultiva processos lentos e profundos.
Criatividade: para entrarmos nos mundos novos e responder de maneira adequada (saborear a pureza da água). Jesus exposto e encarnado.  Ele é o abraço de Deus, acessível a todos os nossos sentidos.   Quando O contemplamos, os nossos sentidos se convertem.
Espiritualidade: é a vida no Espírito que leva à transformação (congregar-nos em torno da fonte). Na contemplação, Deus não impõe, mas propõe, oferecendo opções de vida.  E nos acompanha nesse caminho.
Na formação de catequistas, em todo processo de educação da fé, na vida cristã, nossa missão é a de despertar a sede, como Jesus fazia.
  
Fátima Fenati
Psicanalista e membro da Equipe do Centro Loyola-BH